Cientistas da Universidade da Flórida, em Gainesville, desenvolveram um tomate com níveis significativamente mais elevados de vitamina A, um avanço que pode ajudar a combater uma das deficiências nutricionais mais disseminadas no mundo.
Em uma pesquisa recém-publicada por Jingwei Fu, Denise Tieman e Bala Rathinasabapathi, do University of Florida Institute of Food and Agricultural Sciences (UF/IFAS), os pesquisadores apresentam tomates fortificados com aumento de beta-caroteno — composto que o organismo converte em vitamina A. “Os níveis de beta-caroteno encontrados nos tomates melhorados são superiores aos encontrados nos tomates comercializados e em muitos alimentos ricos em beta-caroteno, como couve e batata-doce”, afirmou Rathinasabapathi, professor de ciências hortícolas do UF/IFAS.
A deficiência de vitamina A, que prejudica o crescimento, a produção de glóbulos vermelhos, a imunidade e a visão, afeta 345 milhões de pessoas em 79 países. Crianças e mulheres grávidas em sociedades empobrecidas são particularmente vulneráveis. O consumo diário de 50 a 100 gramas desses tomates pode ajudar de forma eficaz a combater essa deficiência, segundo Rathinasabapathi.
Fu, que liderou a pesquisa como doutorando sob a orientação de Rathinasabapathi no College of Agricultural and Life Sciences do UF/IFAS — e atualmente atua como pesquisador de pós-doutorado no mesmo laboratório — introduziu o CCS, um gene da via de síntese de carotenoides presente em pimentas, em tomates, para aumentar os níveis de beta-caroteno. Os pesquisadores escolheram o tomate porque é um dos vegetais mais populares do mundo, com produção anual de cerca de 180 milhões de toneladas. A pesquisa mostrou que o gene da pimenta melhorou o valor nutricional dos tomates quando transferido para diferentes variedades da planta.
Para compreender a função de um gene em pimentas, os cientistas inicialmente desativaram o CCS, um gene envolvido na síntese de capsantina e capsorrubina, pigmentos presentes em pimentões vermelhos. “Esses pigmentos são benéficos para as pessoas porque são excelentes antioxidantes, semelhantes às substâncias que conferem a cor à batata-doce ou à cenoura”, explicou Rathinasabapathi. “Após identificar o gene nesse experimento, nós o expressamos em uma variedade de tomate. A planta resultante produziu tomates alaranjados — em vez de vermelhos. O tomate melhorado apresentou níveis mais elevados dos pigmentos capsantina, capsorrubina e beta-caroteno, o que tornou o novo tomate nutricionalmente valioso.”
Na etapa seguinte do estudo, os pesquisadores desenvolveram tomates híbridos por meio do cruzamento de variedades selecionadas com o novo tomate alaranjado. Os híbridos resultantes apresentaram valores nutricionais ainda maiores, em termos de níveis de beta-caroteno, capsantina e capsorrubina, do que o tomate inicialmente desenvolvido. Os frutos desses híbridos também são maiores do que os das variedades originais. Em experimentos controlados, o tomate alaranjado produziu mais frutos e apresentou perfis de compostos voláteis de sabor aprimorados em comparação aos de plantas não modificadas.
O beta-caroteno, pigmento alaranjado comum em vegetais e frutas, é uma provitamina A, o que significa que o organismo o converte em vitamina A, explicou Rathinasabapathi. “De modo geral, os tomates acumulam licopeno — o pigmento vermelho — mas não apresentam altos níveis de beta-caroteno”, disse ele. “Podemos afirmar com confiança que nossos tomates melhorados são nutricionalmente mais valiosos do que os tomates disponíveis comercialmente e até mesmo do que alguns alimentos conhecidos por seu alto teor de beta-caroteno, como cenouras e couve.”